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O primeiro encontro


           

Já era tardezinha de um dia ensolarado quando finamente eles decidiram se encontrar, seria a primeira vez dele, a primeira vez em tudo, seria o primeiro beijo, o primeiro aperto de mãos, a primeira cantada, o primeiro olhar com segundas intenções... Ela já era experiente, já havia sentido essas sensações antes, embora tudo aquilo que ainda estava pra viver fosse algo único, mágico, algo que poderia ser comparado à uma primeira vez.
Tudo combinado horas antes, pra depois da aula... no teatro amazonas. Seria o grande momento esperado pelos dois durante dois ou três longos dias de ansiedade. Ele como de costume já estava à flor da pele pensando em mil possibilidades de fazer a coisa certa e imaginando mil e uma possibilidades de essa coisa certa dar errado. Ela ficou nervosa também pensando e imaginando as mesmas coisas que ele.
Toca o sinal, os alunos saem das salas e seguem em direção ao anfiteatro do colégio, nesse dia teria hora cívica. Mas para ele a hora cívica era apenas uma oportunidade mais que perfeita para sair cedo e encontrar com a pessoa que mudaria a sua vida para sempre, para ela seria a mesma coisa.
Ele foi o primeiro a sair da sala, antes mesmo do sinal tocar já estava impaciente, contando os minutos como se fossem trocados, estava alheio ao que acontecera ao seu redor. Não existiam seus colegas de classe e muito menos o professor, a partir daquele momento duas coisas tomavam conta de seus pensamentos: os minutos que insistiam em passar em câmera lenta e é claro Ela...
Ao sair da sala ele olha para sala dela e tenta avistá-la para ter certeza de que o que tinham combinado iria mesmo acontecer, mas ele não a vê. Seu semblante começa a mudar, de repente uma leve tristeza invade seus olhos e um pensamento lhe assombra. – Será que ela desistiu?
Ele então caminha meio cabisbaixo pelo corredor e resolve esperar na janela, de lá fica observando o movimento das pessoas se preparando para a hora cívica. Após alguns minutos de solidão e incerteza, uma mão toca-lhe o ombro e uma voz doce lhe indaga: Oi, e aí a gente ainda vai?
Embora ele estivesse esperando por aquele momento há algum tempo e estivesse ansioso por isso, o fato de não ter acontecido como tinha planejado acabou provocando nele uma sensação de desistência da parte dela, implicando assim num relaxamento natural. Mas quando ele sentiu aquele toque e escutou aquela voz, seu mundo parou. O coração bateu mais forte e acelerado, suas pernas ficaram bambas, suas mãos suaram como nunca antes e sua boca parecia que estava com paralisia, nesse instante a única palavra que conseguiu pronunciar após um súbito esforço foi: Vamos!
Pela primeira vez em sua vida algo estava dando certo, era sinal de que a felicidade estava próxima, e naquele momento só uma coisa passava pela sua cabeça: - Se não for hoje não vai ser nunca mais.
Passado o turbilhão de emoções em poucos segundos, os dois caminharam pelo corredor, desceram as escadas, passaram pela porta e finalmente saíram do colégio rumo ao Teatro
Amazonas, local escolhido por ele para um primeiro encontro romântico. Afinal existe local mais apropriado pra se pedir alguém em namoro que não o Teatro Amazonas? Pensava ele.
Já em direção ao Teatro, velhos pensamentos e imaginações voltavam à tona. Àquela altura já estava pensando em mil possibilidades de fazer a coisa certa e imaginando mil e uma possibilidades de a coisa certa dar errado.
À poucos metros de chegarem ao Teatro os dois se deparam com alguns amigos da sala dela, ela fica constrangida de ter encontrado seus amigos, é nítido em sua expressão. Ele também fica constrangido, mas aquela situação inesperada causara nele uma preocupação desmedida, em sua mente vagava o seguinte pensamento: - Isso não podia ter acontecido, agora todo mundo vai saber que a gente está junto e saiu pra namorar. Mas o pior é pensar que a gente pode vir a não namorar. Ai meu Deus.
Passado o susto desse encontro inesperado os dois finalmente chegam no Largo com o Teatro Amazonas de pano de fundo. Ele querendo demonstrar ter atitude, convida ela para sentar em um dos bancos que ficava embaixo de uma árvore afim de aproveitarem a sombra, porque como já foi dito, nesse dia o clima estava ensolarado.
Após sentarem-se começam a falar sobre vários assuntos que não tem nada a ver com o verdadeiro propósito do encontro. Os minutos passam, ele começa a ficar impaciente, pensa que mais uma vez tudo dará errado e que não está sabendo lidar com aquela situação. Ela estava calma, apenas esperando que ele a conduzisse pra onde quisesse, pois naquele momento o que ela mais queria era ser só dele.
Um casal de namorados que estava sentado na frente deles resolve sair de lá, os dois já estavam ficando sem assunto e então ele decide num ato de coragem e de desespero convidá-la para passear em torno do Teatro. No caminho ele só imaginava em como dizer as palavras certas para conquistá-la de vez. Tentando pedir a Deus uma luz, ele olha para o céu e recebe o sinal que estava esperando. Como que se fosse combinado naquele dia o sol brilhava intensamente, mas ao mesmo tempo tinha uma lua crescente ofuscada pelo brilho do sol, mas visível a olho nu. Neste exato momento, uma música lhe vem à mente: O poeta está vivo, do Barão Vermelho. Essa música contém um trecho que diz mais ou menos assim: “Todo mundo é parecido quando sente dor, mas Lua e Sol ao meio-dia só quem está pronto por amor”.
Tudo parecia conspirar a favor deles dois, sentindo isso, ele tem a certeza de que essa frase é a ideal para dizer a ela antes de lhe dar o primeiro beijo. E foi exatamente isso que ele fez. Olhou pra ela e disse a frase que parecia ter sido feita sob medida para eles, como se o que nela estivesse escrito passasse a fazer sentido na vida deles. Após o primeiro beijo, o primeiro olhar, o primeiro abraço, o primeiro carinho como namorados de fato, depois de tudo isso, eles realmente estavam prontos para o amor.

Bruce Andrade

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