
Nota: Essa constatação é tão óbvia que provavelmente o leitor deve estar com a mão na cara, ou um sorriso de deboche nos lábios. Mas é o que precisa ser dito, caro veterano. Então perdoe esta pobre e tão ignorante, de acordo com a frase "ela é caloura e não sabe o que faz".
No Consuni (Conselho Superior Universitário), foi possível avaliar todas essas diferenças. As diferanças entre cursos, unidades e entre os professores. Diferentes pontos de vista, impasses e necessidades foram apresentadas. Cinquenta pessoas tiveram a oportunidade de ter o microfone e falar. Em um primeiro momento, as reivindicações foram apresentadas, os motivos da greve, etc; para logo depois dar lugar a "embate ideológico" (esse talvez não seja o melhor termo). Alguns argumentos geraram certa polêmica.
Ficou claro que o pensamento "greve não leva a lugar nenhum" ainda é considerado válido. Segundo a conselheira Marina das Graças de Paula Araújo (Faculdade de Direito) "historicamente as greves conseguiram de 100%, apenas 10%, e no final os professores são punidos e os alunos também [...] no final fazem o período atropelado, os alunos fingindo que aprendem e os professores fingindo que ensinam", a própria também disse que os profissionais na área de Direito "são as cabeças pensantes da sociedade", tal ideia não muito bem aceita pelos presentes... "no campo jurídico!" completou ela em seguida depois de uma onda de vaias.

Esses só foram alguns dos argumentos apresentados. Porém foram os que me fizeram pensar exatamente nessa existência de "classes" dentro da UFAM e de certos preconceitos. É como se certos alunos fossem melhores que outros, por fazer curso A ou B. Como se o direito de protestar tivesse que ser só aquele jeito mansinho, sem chamar a atenção. Como se a UFAM não fosse uma só.
Então, apesar de saber que os estudantes terão prejuízos, a decisão de cancelar o calendário acadêmico (para mim) foi justa. Justa porque não tratou os interesses de uns mais importantes que os de outros. Justa porque deu força ao movimento dos professores. Justa, principalmente, porque certos estudantes não foram tratados com maior importância que outros.
Enfim, a greve é fato. Não precisava do Consuni para se tranformar em realidade. Mas para aqueles que usavam isso como desculpa para "furar" a greve... minhas condolências. Da próxima vez, não se esconda atrás de ilusões. Medida judicial nenhuma vai mudar isso.